Arquivo para Novembro, 2008

Muito peito.

Novembro 5, 2008

Deixa, deixa, deixa, eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar…

Tem que ter muito peito para ser mulher. Eu já falei uma vez, num desses textos antigos do começo do ano dois mil [que hei de publicá-los novamente um dia, quando passar o pavorzinho de textos de outrora] que para ser mulher tem que muito peito. Muito peito para aprender a esconder os sentimentos só para ter uma pessoa do seu lado, aprender a fingir que ninguém incomoda até quando olhar no espelho dá uma repugnância danada, aprender a se iludir que, mesmo na milésima tentativa, ainda pode dar certo. Tem que ter muito peito para continuar mesmo quando você vai dormir tarde imaginando onde, como e quando aconteceu, se foi bom, se durou, se não, se foi melhor, se não, se bateu arrependimento, se não, se por pior que estivesse a situação, você mereceu em algum momento, se não se algumas pessoas vão passar o resto da vida errando e pobre de você que cruzou o seu caminho. Histórias acabam antes mesmo de começarmos a contar outra. Tem que ter muito peito para engulir seco todas as palavras ditas por quase vinte anos para quem quisesse ouvir. O que eu mais admiro nas pessoas é mesmo a sinceridade, aquela que me fez fugir uns meses e encontrar pessoas boas demais para me ter pela metade [e aqui eu falo também das minhas amigas] A mesma sinceridade que me fez voltar e ouvir. Tem que ter muito peito! Muito peito para carro, cinema, casa, coração, choro, chão, nessa mesma ordem. E tem que ter ainda mais peito para valorizar as segundas e terceiras e milésimas tentativas. Muito peito para guardar a razão para as noites de domingo e explodir coração no resto da semana. Muito peito para sonhar, para calar, para aguentar, para chorar toda por dentro e dar três sorrisos por fora. Muito peito para ser mulher nessa cidade onde a maioria [homem ou mulher] nunca leu, nem faz idéia do que seja a palavra romance. Onde as pessoas entregam tudo que há do lado de fora para a primeira carinha bonita que aparece. Tem que ter muito peito para se exibir por dentro e achar que no final vai se recompensada por isso. Muito peito para entender que se exibir por dentro pode ser ainda mais afrodisíaco do que se exibir por fora. Tem que ter muito peito para desistir quando não dá mais certo e não confundir passado, presente e futuro. Tem que ter muito peito. Muito.