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		<title>Sem Título.</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 01:19:08 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-361" title="Poema" src="http://ritaprado.files.wordpress.com/2009/09/poema.jpg?w=282&#038;h=282" alt="Poema" width="282" height="282" /></p>
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		<title>Sem dia para hoje.</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 03:20:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritaprado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acordei e achei tudo muito estranho. O despertador não tocou Here Comes The Sun, como de costume, o despertador nem tocou. Levantei e o café estava sem gosto, a manteiga sem sal e o pão sem fofura. Engoli tudo e fui tomar banho. Não tinha cheiro também o shampoo e o sabonete que você meu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritaprado.wordpress.com&blog=1929881&post=355&subd=ritaprado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Acordei e achei tudo muito estranho. O despertador não tocou <em>Here Comes The Sun</em>, como de costume, o despertador nem tocou. Levantei e o café estava sem gosto, a manteiga sem sal e o pão sem fofura. Engoli tudo e fui tomar banho. Não tinha cheiro também o shampoo e o sabonete que você meu deu de presente. Escovei os dentes com a sua escova, mas a pasta não refrescou nada. Não demorei para escolher a roupa por que não tinha nada colorido, nem com babados, nem com textura, nem fluido, nem rígido, nem confortável, nem bonito, não havia diferença entre as roupas, não eram velhas, nem novas, nem haviam colares, aqueles colares todos enfeitando a parede, não haviam enfeites, não tinha anel com cristal Swarovski, não tinha sandálias, não tinha nada. Achei tudo estranho, mas fui trabalhar, não tinha roupas na arara para qualquer ajuste. Não tinha tecidos, não tinha funcionários, não tinha som, não tinha nada, mas liguei o computador. Até tinha Internet, até digitei os sites de sempre e como tudo muito estranho no dia, eles também estavam estranhos, não havia o que pesquisar, nem com quem falar, nem vestidos para entregar até sexta-feira, não havia decoração, nem fome às 11. Não teve fome, nem dor de cabeça, nem dor de dente, nem dor quando caí da escada, nem dor alguma. Também não tinha cor de nada. Nem música alguma, não tinha Killers, não tinha Keane, não tinha Kate Nash, nem as todas as versões que eu andei baixando no YouTube. Não tinha Youtube. Não tinha blog, site, email, MSN, Orkut ou qualquer outra coisa que me ligasse ao mundo. Não tinha mundo também. Não tinha notícias, nem clientes, nem conforto, nem prazo. Mas comi sem ter fome e deitei depois do almoço como eu nunca faço. Apesar desse dia sem dor, sem cor, sem som, sem conforto e sem fome, cochilei um pouco do tempo que ainda não tive hoje, hoje também não teve tempo e cheirei a camisa que você usou ontem. O meu sonho teve o cheiro de sua camisa de ontem e a cor da sua pela mais cor de rosa que a minha. Acordei e as coisas continuavam sem ritmo, sem som, sem cor, sem dor, sem roupa, sem Internet, sem cor de rosa, sem cheiro, sem mim. Mais tarde dirigi até a faculdade sem pisar no acelerador, sem pisar no freio, sem embreagem, sem ar condicionado, sem farol, sem motorista, sem trânsito, sem ruas, sem pressa, sem cantar, não tinha música na minha cabeça. Cheguei e tomei um milkshake marrom sem chocolate algum com uma pizza de queijo de vento. Me alimentei de nada novamente e falei com você pela quarta vez hoje só por que vi sua foto no celular por que as letras sumiram todas, em todo canto, inclusive as do celular, os símbolos que formam o seu nome forte. Desenhei moldes sem saber para quê e costurei uma saia que nem sei se existe. Voltei para casa com o Chico mudo. Em casa ouvi mais do Chico, ainda mudo. Falei com você mais duas vezes e escorreu uma lágrima quente e foi essa a primeira sensação do dia. O dia não teve cor, não teve som, não teve trabalho, não teve letra, não teve roupa, não teve moda, não teve Chico, não teve dor, não teve conforto, não teve pressa, não teve fome, hoje não teve nada. Hoje nem existi, saudade mata a gente.</p>
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		<title>Carta aberta.</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 14:35:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritaprado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu não sei pelo o que você está passando, amiga. Não sei o tamanho da sua dor, o que resta ainda de força, não sei o que você considera amor, o que te faz feliz, eu não sei. Não vou julgar seus atos nem vou achar vergonhoso você engolir alguns sapos para ficar com quem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritaprado.wordpress.com&blog=1929881&post=351&subd=ritaprado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu não sei pelo o que você está passando, amiga. Não sei o tamanho da sua dor, o que resta ainda de força, não sei o que você considera amor, o que te faz feliz, eu não sei. Não vou julgar seus atos nem vou achar vergonhoso você engolir alguns sapos para ficar com quem você julga ser o amor da sua vida. Não vou fazer isso. Mas eu me acho no direito de te escrever esse manifesto otimista. Quando a gente se apaixona por alguém a gente tende a jogar qualquer sujeira para debaixo do tapete. Quando a gente tem a infelicidade de se apaixonar por alguém que tem muita sujeira para jogar debaixo do tapete a gente acaba se escondendo lá embaixo também. O tempo vai passando e a gente vai ficando cada vez menor e a sujeira vai te deixando sem espaço. Nesse momento, a maioria de nós até coloca a cabeça para fora algumas vezes, mas adia tanto em tomar a decisão de sair daquela montanha russa claustrofóbica, que o dono da sujeira por si só vai embora atrás de um canto melhor. Nessa hora você acha logo que os mil defeitos que o bonitão plantava em você eram todos verdade. O cara vai embora. E agora você tem que juntar o pó da sujeira e todos os seus caquinhos sozinha. É nesse momento da sua vida, o pior momento onde, sem o cara que você amou e desamou tantas vezes no mesmo dia, você vai ter que tomar a pior decisão: não fazer tudo de novo. E eu estou aqui para te dizer por que você não deve fazer isso. Eu poderia falar que você é linda, inteligente, bem sucedida profissionalmente e a namorada que muito homem por aí sonhou, mas essa parte você não vai enxergar tão cedo. Mas eu vou te falar de uma experiência pessoal de quem sempre foi muito prática nessa matéria de relacionamento e burlar o sofrimento sempre foi a parte de que eu mais me orgulho nessa história toda. A pessoa que inventou a frase “a dor é inevitável, o sofrimento é opcional” não estava querendo vender livros de auto-ajuda, estava só querendo que você tivesse um ponto de vista. Eu sei, somos sensíveis, choramos em músicas, olhamos duzentas vezes a mesma foto e algumas de nós acham que nunca mais na vida vão encontrar outra pessoa. Outra pessoa o quê? Outra pessoa que vá te fazer sofrer do mesmo tanto ou pior? O primeiro passo é colocar numa balança os momentos. Os bons superam os ruins? Eu vou te dizer amiga, outra pessoa, uma pessoa, pode aparecer na sua vida. A pessoa. Por que a minha parte emocional sempre disse que, se eu sou uma pessoa boa, eu mereço outra pessoa boa e isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde, mas a gente tem que estar disposta a receber. Amiga, mas eu não quero que você pense em encontrar uma pessoa que se compare ao dono da sujeira toda da sua vida, mesmo que esse cara tenha sido dono de muitas coisas boas também. O que eu quero que você saiba é que o Amor não precisa de sujeira. Sujeira entenda, pode nem ser traição, pode ser uma convivência difícil, pode ser comodismo, pode ser falta de respeito ou mesmo a falta de paixão. Sujeira é tudo o que te fez sentir mal, dormir mal, comer mal, trabalhar mal, se olhar no espelho e se achar mal. Sujeira é tudo de ruim que ele tentou plantar na sua cabeça, diminuir sua auto-estima, não valorizar todas as suas qualidades, te desprezar, mentir para você, disfarçar uma conversa mais séria, adiar a decisão de dar um passo além. Amiga, amor não é para ter sujeira. O cara certo, esse não vai fazer o mínimo esforço em te fazer feliz e tudo vai acontecer naturalmente. Você conhece a minha história, todos os meus esforços, todas as minhas tentativas, tudo o que eu tentava esconder com um sorriso, você sabe tudo amiga. E você me vê hoje. Sem falsa modéstia, meu relacionamento é perfeito. O cara que eu encontrei não faz o mínimo esforço para me fazer feliz, mas me faz a mulher mais feliz, amada e desejada do mundo. Com ele eu me sinto bem vinte e quatro horas. Lembra quantas vezes eu te liguei para reclamar qualquer besteira e hoje eu só tenho coisas boas, interessantes e planos possíveis de um futuro próximo para falar. E eu nunca imaginei que no final eu fosse estar com ele por que muitas vezes eu estava tão ocupada tentando disfarçar a sujeira que não olhei pro lado para ver que aquele cara no momento certo iria mudar a minha vida para sempre. Existe um cara assim para toda mulher boa que eu conheço. Você é uma delas. Não desista de ser cem por cento feliz, eu juro para você, vai acontecer. Não era esse cara que já escorreu tanto no seu rosto, esse cara vai te fazer meio feliz. Você não merece ser meio feliz. Não desperdice a chance de ser feliz de verdade, em período integral e incondicional com uma pessoa que vale muito muito muito muito mais a pena.</p>
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		<title>O segundo que antecede.</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jul 2009 13:57:03 +0000</pubDate>
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Naquele milésimo de segundo eu sinto o gosto de champagne quando achava que você era o proibido, o fora de hora, o atrasado e eu bêbada demais me joguei sem dó em piedade, nem senso de responsabilidade nos seus braços e colei no seu paletó, naquele milésimo de segundo eu sinto a areia molhada e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritaprado.wordpress.com&blog=1929881&post=328&subd=ritaprado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-327" title="Casamento 285peq" src="http://ritaprado.files.wordpress.com/2009/07/casamento-285peq.jpg?w=400&#038;h=267" alt="Casamento 285peq" width="400" height="267" /></p>
<p>Naquele milésimo de segundo eu sinto o gosto de champagne quando achava que você era o proibido, o fora de hora, o atrasado e eu bêbada demais me joguei sem dó em piedade, nem senso de responsabilidade nos seus braços e colei no seu paletó, naquele milésimo de segundo eu sinto a areia molhada e a vontade de aceitar o seu convite gritando com placas fluorescentes no meu peito dizendo, “é cedo, mas pode ir, ele não é igual a nada que você já provou na vida”, naquele segundo eu sinto a paz de uma nação após a guerra, desolada, febril, mas cheia de otimismo e dormindo bem tranqüila à noite, naquele bendito segundo eu ganho asas e vôo tão alto, tão frio, tão intenso que não sei mais o caminho de casa, nem onde foi parar aquela gaiola desconfortável que eu julgava ser o meu coração, meu hóspede, naquele segundo eu acordo lá, na outra praia, com um compromisso a mais e rédeas a menos e danço “o caminho do bem” pela segunda vez, naquele Estado, naquele mesmo estado, com você; naquele doce segundo meus pés mal encostam no chão sem importar em riscar a parede de tinta recente, branca, minha e qualquer dia nossa; naquele suave segundo eu canto todas as músicas em alta freqüência, alta fidelidade, altas gargalhas, altos devaneios, altas madrugadas; naquele segundo eu rio como criança, eu grito como num show do Paul McCartney, eu choro como se ganhasse um prêmio na loteria, eu pulo como se quisesse ver do outro lado do muro, eu suspiro como se tivesse realizado um sonho e danço como se meu espelho fosse uma boate; naquele segundo é muito cedo e o sol parece um convite ensaiado para um espetáculo inédito; naquele segundo eu rezo todos os segundos; naquele milésimo de segundo aquele antes da sua boca encostar na minha todas as vezes eu me perco, me jogo no precipício, desfruto de todas as nuvens claras, fofas e surreais disponíveis, naquele milésimo de segundo eu não quero mais me achar.</p>
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		<title>Vou escrever para você.</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 02:39:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritaprado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>

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		<description><![CDATA[E aí que eu tenho pensado muito em escrever um texto para você. Um novo texto, um texto sem precedentes, sem comparativos, imparcial ou passional, não sei. Um texto que você mereça. Aí que esbarro na dificuldade de conseguir mencionar as coisas que você merece só por ter me escolhido para seguir em frente. Eu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritaprado.wordpress.com&blog=1929881&post=324&subd=ritaprado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>E aí que eu tenho pensado muito em escrever um texto para você. Um novo texto, um texto sem precedentes, sem comparativos, imparcial ou passional, não sei. Um texto que você mereça. Aí que esbarro na dificuldade de conseguir mencionar as coisas que você merece só por ter me escolhido para seguir em frente. Eu poderia começar agradecendo por você estar entediado o bastante de uma coisa para querer outra completamente diferente e eu, idem. Mas não quero falar de outras coisas, que outras coisas? Pela primeira vez na vida, eu que carrego “troféus” de experiência sou uma pessoa sem passado. Acordei em primeiro de janeiro de dois mil e nove, nova em folha, te dizendo sentir exatamente o mesmo que você sobre o ano que passou e fazendo planos idênticos, embora até ali, os planos idênticos fossem separados: vida nova! Eu tenho que te agradecer por não ter me beijado e alimentar ainda mais a vontade de tudo com você. Então, falando em tudo eu ponho abaixo todas as teorias (obrigada por isso também) para dizer que eu, com vinte e cinco anos, dez melhores amigas e todas as temporadas de Sex and The City, não sabia de absolutamente nada. Mas o meu texto não pode ser só sobre a manhã de Carnaval por que essa parte eu agradeço todos os dias, quantas vezes eu puder e quanto e onde e tanto e sempre. Você é o meu Carnaval da vida inteira. E a gente tem duzentos anos de namoro e não sabe ainda de nada um do outro, a perfeição. Amor, não consigo não ser redundante e o meu texto só consegue ser carregado de rotina, da nossa deliciosa, nova e moderna rotina. Se eu fosse um pouquinho menos desajuizada já teria te dado a chave da minha casa e trazido todas as suas coisas, incluindo o DVD do Keane e as caixinhas do Ipod tão Tamandaré para mim. Se não fosse tão ajuizada e cheia de pudores eu teria me casado lá, como aquelas pessoas que casam em Vegas, sem vestido de noiva ou convidados da família, eu teria e escreveria textos depois. Embora eu não tenha dito e a gente não tenha mencionado esse assunto por que, nossa, três meses não são três anos. Ok, os primeiros três dias com você me deram três décadas de certeza, é com você que quero ficar pelas próximas três décadas, depois não sei. É por que a gente ainda tem que ir para Londres e Liverpool e a Torre Eiffel há de ser o lugar mais gostoso e apaixonado e livre de rotina e falta da coisa mais gostosa do mundo, de Amor, de Amor real, de independência, da minha total e deliciosa independência emocional de você. Eu te amo por que não te preciso, isso estaria no texto. Você não é a minha família inteira e eu sou cheia de amigas, não vou te ligar de madrugada por que estou ouvindo barulhos estranhos, eu vou te mandar uma mensagem para te dizer o quanto estou feliz para que essa seja a primeira frase que você vai ler no dia. Desisti de procurar algum defeito ou de esperar pela nossa primeira briga por que são coisas que incrivelmente não vão acontecer com a gente, obrigada por tornar a minha vida simples, leve, romântica, suave e quente. Vou começar a escrever um texto para você, eu juro, te aviso quando estiver pronto!</p>
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		<title>Nem eu, nem o rio.</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 03:11:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritaprado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Existe vida após o Amor. Existe Amor após Amor e eu bem que usaria outra palavra para diferenciar sentimentos tão diferentes que podem ser usados com o mesmo nome, sempre. O mesmo “Eu te Amo” que eu escrevi para o menino da escola e nem assinei por que dizer aquilo era só para me libertar de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritaprado.wordpress.com&blog=1929881&post=271&subd=ritaprado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Existe vida após o Amor. Existe Amor após Amor e eu bem que usaria outra palavra para diferenciar sentimentos tão diferentes que podem ser usados com o mesmo nome, sempre. O mesmo “Eu te Amo” que eu escrevi para o menino da escola e nem assinei por que dizer aquilo era só para me libertar de guardar tamanha frase sozinha, não é de longe o mesmo “Eu te Amo” que eu ouvi salgado e quente naquele dia na minha nova casa. Existe vida após “n” tipos de Amor que não têm nomes diferentes, mas que são infinitamente peculiares. Lembra aquela história dos pré-socráticos, de que não se pode entrar no mesmo rio duas vezes por que na segunda vez,  nem o rio, nem você serão os mesmos? Então não se pode comparar duas pessoas, dois momentos, duas histórias ou como falava antes, dois tipos de Amor. Sendo assim eu me sinto bem livre para dizer que eu amo muito as suas sobrancelhas loiras e os seus cílios mais loiros ainda, o som do seu carro com as músicas que só eu e você poderíamos conhecer, você abrir a porta do carro e me tratar como princesa vinte e cinco horas por dia. Estou com aquela boa sensação de estar finalmente fechando um ciclo e que aquelas trocentas quedas passadas, insistidas, frustradas, tudo aquilo que foi tão bom e tão ruim na mesma escala, toda aquela Rita, aquele desejo sobre-humano de mudar pessoas, coisas, frases ou pelo menos aquele meu velho anseio de resignar meus próprios desejos só para agradar o próximo, toda uma pressão, um ideal de perfeição, uma paciência curta demais e gritos, mãos nos meus braços, palavras grosseiras e reações inversamente proporcionais às (boas) emoções, tudo o que eu sofri, com o perdão do verbo, sofri para caralho, tudo o que eu possa ter passado em anos, o que me custou uma vida de contos de fada e quase leva embora minha esperança de encontrar um cara que me fizesse feliz só de olhar, tudo, parece ensaiado para o grande desfecho que foi o recomeço da nossa bela história. Parece que existiram vinte e cinco anos de experiências das mais variadas para que quando você surgisse naquele janeiro, eu soubesse exatamente o valor de ser bem tratada. Por que agradar alguém cheia de expectativas e ansiosa para gostar de alguém, é muito fácil. Difícil mesmo era chegar no meu coração bem calejado, que já nem acreditava em promessas e anéis, nem em brilho no olho, nem em ter qualquer recompensa por perdoar alguém. Difícil é agradar alguém como eu. Difícil é entender que o que arranca meu sorriso é o mais simples “vou comprar um remédio para você” ou “vamos dar uma volta para ver a enchente” ou ainda “deixa eu carregar sua bolsa que está pesada” ou “bom dia princesa” ou “eu não me apaixonei pelas coisas que você gosta, nem as suas bandas preferidas, nem o seu talento para fotografia, eu me apaixonei por você e ponto”. Fácil se apaixonar pela parte de mim que todo mundo vê, meus textos, meus cabelos, minha família perfeita, meu acervo musical, meus filmes, minha pele maquiada, minha austera fortaleza. Difícil, bem difícil, é se apaixonar quando eu perdi a paciência e xinguei todo os carros na minha frente ou quando alguém não é tão rápido quanto eu. Existe vida. Existe Amor. E em alguns momentos eu achei que não, na verdade, eu tive certeza que não. Que casamento é uma droga, que todo homem trai, que se eu engolisse uns sapos eu seria recompensada no final e que eu precisava sorrir 24 horas para ser legal. Aí você chegou sem me pedir nada. Você não me pediu absolutamente nada. Não fez comentário sobre a minha celulite, nem mandou que eu calasse a boca um minuto. Você chegou e me viu e eu fui livre. E o Amor nasceu. Tão livre quanto o espírito que você libertou naquela manhã de domingo de Carnaval. Eu fui livre para amar de novo outra pessoa por que você plantou em mim a sementinha do Amor-próprio que estava oscilando entre dias de sol e chuva. Tão livre para assistir o show da Vanessa da Mata e me sentir livre. Tão Teresina do Chico Buarque, <em>foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não, se instalou feito posseiro, dentro do meu coração</em>. Esse é o meu Amor real. <em>All my little plans and schemes, lost like some forgotten dreams seems that all I really was doing was waiting for you.</em> Não sou mais a mesma, nem o rio. Mas eu ainda acredito que no final, o amor que você recebe é igual ao amor que você dá.</p>
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		<title>Eu trouxe meu Carnaval para casa &#8211; Parte 1.</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 02:19:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritaprado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu trouxe o Carnaval para os outros trezentos e sessenta e um dias desse ano. Eu não me contenho em falar só de abril, daí eu volto para março. Nem me contenho de falar só de março aí volto para o Carnaval, mas aí eu tenho que voltar para janeiro e um janeiro vai puxar o outro e eu vou falar de quantos anos mesmo?! E de “quantos anos mesmo” eu volto para bem antes, bem antes de mim, de ser isso aqui, de pelo menos querer ser isso aqui, um mim que era outro e que eu nem lembrava. A primeira vez que eu te vi foi na escola. Eu estava na sétima e você no segundo ano, mas a gente dividia o mesmo tamanho e a mesma cor de cabelo. Eu te vi, mas não tanto e nunca mais. Quase dez anos depois você me aparece grande e eu te vi tanto, tanto que peguei você para mim por alguns dias, numa festa, noutra festa, no cinema, na Internet que ainda era pequena e meses mais tarde fui longe e de carro só para te ver de novo. E eu te vi, mas você, não tanto e eu escrevi um texto que eu acabei de achar, falando de como você era príncipe e como eu nunca tinha encontrado alguém tão príncipe antes. Aí nós sumimos. Separados. Dias, meses, anos, muitos anos. E eu guardei as lembranças de você na mesma caixinha que eu guardei o Closer, a música Rag Doll, do Maroon Five, a minha mania de chamar a tua irmã de cunhada e o teu sorriso de príncipe, numa caixa com o número da minha sorte e da camisa do seu time de futebol. Aí depois veio você aqui quando eu já nem esperava. Aí você me viu e tanto e eu tanto te vi que doeu na alma não te beijar com meu vestido branco. Depois sonhei com você e muitas taças de champagne e você foi embora, de novo. E eu sumi de novo e você sumiu de novo e tão de novo você ainda morava longe e a tua boca estava tão longe que eu sosseguei de sonhar com você por uns meses. Aí eu fui embora no dia trinta e um do ano passado. Não fui embora de você, eu já tinha ido. Fui embora de mala, cabeça e cuia, da vida que se fez nesses anos todos enquanto eu e você insistíamos em trapacear o nosso fidedigno destino. E eu te vi em janeiro, num dia, te vi tanto, te quis tanto, mas era tanto que não podia ser pela metade, rápido ou com reservas. Aí eu fui embora daquele lugar incomum com a sensação de ter que completar um texto quando ainda estava na primeira frase. Aí eu trouxe você para janeiro de novo e a frase que faltava virou promessas a cumprir e uma passagem para o paraíso e com bônus de uma vida toda nova. Eu fui de ônibus e nos primeiros trezentos quilômetros desisti por um segundo, mas não voltei. O medo de frustrar as minhas expectativas em relação a você que era tão antigo, mas tão novo, me causou terríveis dores físicas, mas eu não voltei e dezessete horas depois e todas as horas seguintes, inclusive essa agora. Você só suplantou todas aquelas setecentas e noventa e quatro expectativas. Aí eu escrevi outro texto para registrar a nova eu. Aí eu trouxe você e não cabia mais na caixinha do Closer, junto com as outras coisas. Você já não cabia mais dentro de um só peito meu e eu pedi a sua ajuda para abrigar você e caber em mim. E você veio. E a minha vida inteira virou Carnaval, inclusive em março e abril. Por que eu não imaginei que em março você queria o nosso mais sincero compromisso e você veio pessoalmente me levar dentro de contêineres por que a essa altura eu não cabia mais nem no peito, nem em mim, nem a minha casa, nem no bairro, nem nessa cidade e eu fui toda com você em março, embora o plano físico tenha ido trabalhar todos os dias no meu lugar. Aí eu tive a certeza que de você encontrou o único exemplar raríssimo do Manual de Mim.</p>
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		<title>De quando eu fecho o olhos.</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 14:32:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritaprado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Eu fecho os olhos e imagino o nosso cenário. Aquele cenário, naquele feriado onde todo mundo pode tudo. Eu fecho os olhos e me imagino lá. Eu fecho os olhos e imagino como tudo pôde ser tão diferente. O sol forte entrando por debaixo da porta e por um pedaço da janela que ninguém pôde [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritaprado.wordpress.com&blog=1929881&post=264&subd=ritaprado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="alignnone size-full wp-image-265" title="ric" src="http://ritaprado.files.wordpress.com/2009/04/ric.jpg?w=500&#038;h=333" alt="ric" width="500" height="333" /></p>
<p>Eu fecho os olhos e imagino o nosso cenário. Aquele cenário, naquele feriado onde todo mundo pode tudo. Eu fecho os olhos e me imagino lá. Eu fecho os olhos e imagino como tudo pôde ser tão diferente. O sol forte entrando por debaixo da porta e por um pedaço da janela que ninguém pôde cobrir. Eu fecho os olhos e me imagino lá acordando com você sem que isso significasse uma noite quente no dia anterior. O máximo de intimidade sem intimidade alguma, a ordem inversa das coisas, o horário trocado. Eu imagino quantos chicletes eu gastei esse ano quando a gente saiu, inclusive quando eu apareci no seu prédio de surpresa e te beijei enquanto você ouvia Dear Prudence no meu Ipod. Tantos chicletes para que no beijo mais demorado da minha vida eu não tivesse ainda levantado para escovar os dentes. Eu imagino a minha surpresa em sentir a química gritando no volume máximo para os vizinhos dos mil prédios em volta do seu nessa cidade que eu agora amo. Eu fecho os meus olhinhos e imagino o espasmo que o ar condicionado dá e o meu susto ao descobrir a faxineira logo cedo me lembrando que existem mais de duas pessoas no mundo a partir daquele momento. Eu fecho os olhos e cheiro o teu perfume que ficou na ponta do meu nariz pelas dezessete horas seguintes. Eu fecho os olhos e vejo você trazendo o café com leite, tirando a camisa, vestindo seu melhor sorriso e a minha maior expectativa. Eu fecho os olhos e as horas voam. Eu imagino você do outro lado da lancha, com o vento desarrumando o teu cabelo e conversando sem perceber que naquele bendito momento, eu já estava me apaixonando por você. Eu fecho os olhos e lembro que você era o mais acessível da sua sala de meninos grandes quando eu ainda era uma pirralha. Eu fecho os olhos e te reencontro anos mais tarde, mais acessível ainda e a gente indo para o cinema assistir Closer pela primeira vez. E a gente assistiu de Closer ao Curioso Caso de Benjamim Button e todos os filmes entre eles dois acabaram de ser suprimidos pela minha vontade de nem colecionar lembranças só para sentir a tua mãozinha encostando na minha perna no cinema. Eu fecho os olhos e espero tua boca. Eu fecho os olhos e te espero aqui para jogar cartas como eu já nem lembrava que sabia jogar alguma coisa, nem cartas, nem volley. Você tem o gosto da minha melhor adolescência, tem gosto de novidade, de esperança, de amendoim salgado daquela festa. Eu fecho os olhos e danço um samba rock com você. Depois dirijo o seu carro pela primeira vez, na chuva, de sutien cor de rosa e a maquiagem escorrendo no pescoço. Eu fecho os olhos e você divide um pacote de bolacha e um chocolate na minha boca. Eu tomo banho de chuva, na frente do mar de Olinda, beijo, chuva, você e as mãos tremendo de frio, mas o coração quase para explodir de tão quente. Eu fecho os olhos e te conheço há anos, mas você é uma surpresa a cada dia. Eu fecho os olhos e quero você para mim. Eu fecho os meus incansáveis olhos e posso ser quem eu quiser com você. Por que você não me viu quando eu era modelo, nem me leu quando eu escrevia frequentemente, nem esperou que eu saísse de casa arrumada e com dois cds de uma banda nova, nem achou que as minhas amigas só falavam besteira, você só sentiu a nossa química e pronto! Eu fecho os olhos e sou feliz só de te imaginar de volta, aqui, para mim.</p>
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		<title>O falso bloqueio.</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 12:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritaprado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Começou. Domingo passado eu senti uma dor tão forte que corri no cardiologista de plantão e ele disse em alto e bom som que eu tinha uma coisa chamada bloqueio no ramo direito do coração. Eu sabia, sempre soube que meu coração era bloqueado, é de nascença, não se formou com o tempo, nem com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritaprado.wordpress.com&blog=1929881&post=262&subd=ritaprado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:12pt;line-height:115%;"><span style="font-family:Calibri;">Começou. Domingo passado eu senti uma dor tão forte que corri no cardiologista de plantão e ele disse em alto e bom som que eu tinha uma coisa chamada bloqueio no ramo direito do coração. Eu sabia, sempre soube que meu coração era bloqueado, é de nascença, não se formou com o tempo, nem com as intempéries que ele teve que passar. Durante a semana, a semana que precedeu essa minha semana deliciosa, eu pensei em mil coisas que poderiam me acontecer caso meu problema, literal, de coração, fosse mais grave do que eu estava acostumada. Ontem eu fiz outra consulta e o médico me disse que esse bloqueio, que seria normal, “não chega a ser assim, um bloqueio, sabe?!”. Ufa. Não sou uma pessoa que carrega problemas como se fosse uma bolsa Prada original, um troféu, logo meu bloqueio ia ficar logo de escanteio, se não fosse o fato de que ele mesmo nem existe. Meu coração é saudável, mas preciso fazer exercícios, regularmente. Para o coração eu tenho afastado as pessoas carregadas (como as que ostentam os problemas como se fosse uma bolsa Prada) e me aproximado de pessoas, assim como eu, desbloqueadas. Aí entra a parte dessa história que eu mais gosto: eu ganhei um coração novo, zerado, novinho em folha, limpo e pronto para bombear saúde. Meu novo coração veio numa manhã de Carnaval, com o céu muito nublado e quatro grandes confirmações de quão saudável somos nós. Estou pronta, pode começar.</span></span></p>
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		<title>Meu lado Maitê.</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jan 2009 13:55:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ritaprado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou lendo a Maitê novamente. Eu gosto de como mulheres como ela, Lya Luft e Tatiane Bernardi descrevem os sentimentos mais ínfimos. Decidi voltar a escrever com todo o gosto e sem a dor de publicá-los. E foi ontem à noite antes de parecer estúpida, bêbada e de vestido curto na boate que eu revivi [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ritaprado.wordpress.com&blog=1929881&post=241&subd=ritaprado&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-family:&quot;"><span style="font-size:small;">Estou lendo a Maitê novamente. Eu gosto de como mulheres como ela, Lya Luft e Tatiane Bernardi descrevem os sentimentos mais ínfimos. Decidi voltar a escrever com todo o gosto e sem a dor de publicá-los. E foi ontem à noite antes de parecer estúpida, bêbada e de vestido curto na boate que eu revivi a minha paixão mais gostosa. Do lado de dentro existem um turbilhão de mim que não consegue se expressar ao não ser pelo teclado. Tem um mundo inteiro dentro de mim que ninguém conhece. São pessoas, cheiros, gostos e fotos que eu não consigo expressar. São infinitamente contrastantes as minhas facetas, mas não consigo anunciá-las. Morro um pouquinho dentro de mim quando a boca é mais audaz que a minha vontade de falar. Estou solta para dedilhar o que me dá prazer, sem pudores e mais egoísta do que nunca. Já nem importa quantos dias vou ter que passar catando as peças que foram espalhadas no (ventila)dor. Decidi não reprimir. A partir de hoje, nem coisa, nem gente, vai fazer minha imaginação ficar guardar dentro de uma caixa. E isso vale para quem ainda vem aqui achando que um dia vai mudar de lado da tela, não mais, nunca mais. Eu ando meio revoltada demais com o mundo, com os relacionamentos, com os adultos, com os desvios, comigo mesma e minha mania de colocar flores onde não tem, então nem me sinto à vontade ainda para falar qualquer coisa boa demais desse ano ou qualquer coisa ruim demais do ano passado. O ano passado é mesmo ano passado, uma vida passada, textos passados, um livro inteiro passado, eu mesma do passado e o meu fabuloso racional cuidou de botar a sujeira toda debaixo do tapete da casa também passada. Então, vou voltar a escrever por esses dias, das pequenas felicidades como segurar a mão no cinema e beijar até a boca dobrar de tamanho. As pequenas coisas que o hábito torna comum, o prazer comum, o dia comum, o elogio comum, a rotina comum, a desgraça comum, o tédio comum e a conseqüente infidelidade incomum, pelo menos para minha pessoa, bem comum. Aquela que transforma o momento mais sublime e cúmplice em esporte. Não era para ter virado esporte, mas a maioria faz disso os quantos por cento, mesmo? Noventa e nove por cento, que eu tive a infelicidade de falar um dia, só para causar uma boa impressão. Sou mesmo muito boba. Driblo a dor, burlo meu pesar, engano meu chão, não sinto um pouquinho sequer de arrependimento de nada, nada, nem as dores, nem o leve desprezo, nem a consciência, nada. Minha cabecinha é cheia de manias e essa é só mais uma: escrever para espantar os maus espíritos, para emprenhar todas as dores e parí-las ao mundo. Num segundo me sinto livre, desapego. Desapego, desapego, desapego, a política mais praticada do lado de cá por vários dias até que eu esteja tão livre que me embrulhe num pacote e me dê de presente para outra pessoa, que pode ser a pessoa de verdade ou alguém que me decepcione novamente. Então virão mais textos doces e salgados, nessa mesma ordem, mas eu desejo não parar tão cedo. Por que assisto tantos filmes que sou capaz de me apaixonar perdidamente por quem nem sabe o meu nome, a minha existência, os meus valores e posso ser irritantemente carinhosa, amável e aparentemente apaixonada por que não me interessa nem um pouco. Então, para fugir da minha estúpida lógica, escrevo, assim me sinto mais eu.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-family:&quot;"><span style="font-size:small;">“<em>Escrever é prática escondida, solitária. Entre o ócio e a preguiça rumino idéias e invento casos que não me teriam ocorrido se o teclado não me puxasse os dedos. Sento em frente à tela e vou teclando meio sem rumo, colocando o que me vem à cabeça &#8230; Tem a frase que já não cabe, mas, como gosto, não quero abrir mão. Dá-se aquele raciocínio gordo. Apago. Para ficar no papel eternizado é preciso depurar o pensamento até que ele pareça ter nascido ali – quando isso acontece o prazer é sublime. Quando não acontece, percebo e volto e volto ali e volto ali&#8230; Há ocasiões em que a solução só se apresenta depois da frase publicada, leite derramado, e ai que tormenta! (&#8230;) Descobri que existem histórias inesgotáveis brotando dentro de mim. Carrego-as para onde quiser, posso andar feito cigana sem pouso, por que cada esquina do mundo a fonte só faz aumentar. A terra onde nascem minhas crias e frutos eu levo dentro, e o adubo que a fertiliza é toda coisa que existem em volta</em>.”</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;"><span style="font-family:&quot;"><span style="font-size:small;">Maitê Proença em <em>Uma vida inventada</em>.</span></span></p>
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